Será o fim dos Cd´s?



Por: Camila Santos

A primeira década do século XXI anuncia, mais do que nunca, o fim do mundo como o conhecemos. Ou, como a internet interfere diretamente na forma de se fazer, vender e comunicar cultura. Em especial, a música. Neste momento, enquanto as vendas de CD's encolhem expressivamente ano a ano, gravadoras, empresas, produtoras, bandas e público buscam novos caminhos para financiar um mercado que gera bilhões de dólares anuais.
A derrocada do suporte físico simboliza o movimento inverso que a música em formatos digitais experimenta. Segundo último levantamento da IFPI, as vendas de música digital totalizaram 3,05 bilhões de dólares em 2007, número 48% maior que em 2006. Isto representa agora 15% do mercado global: cifra que era de 0% em 2003. Somente nos Estados Unidos, as vendas de canções via internet e celulares agora respondem por 30% da receita total da indústria.
E o Brasil segue o mesmo fluxo. O país, que nos últimos dois anos viu o nascimento de lojas online do UOL, Terra, a criação de diretórios locais do MySpace e LastFM, o suporte de empresas ao Trama Virtual, remunerando artistas pelo número de downloads, registrou números extremamente expressivos em 2007 e 2008.
Para qualquer banda independente, ficar refém de grandes gravadoras e da velha maneira de se fazer e consumir é uma necessidade do passado. O MySpace, principal site de relacionamento focado na música, conta com 30 milhões de usuários e 5 milhões de bandas cadastradas. O SMD - Semi Metalic Disc - produto inventado no Brasil, permite prensar e vender seu próprio disco à um custo ínfimo, comercializado com o preço padrão de R$ 5 estampado na capa: com direito à tudo que um CD "tradicional" oferece, comportando até 60 minutos de gravações e com uma série de medidas inteligentes que baratearam o produto final. Ótima pedida para quem ainda precisa do suporte físico para vender em shows, enviar para a mídia especializada e tudo mais.
A internet ainda disponibiliza inúmeras ferramentas, em sua maioria gratuitas, para quem quer fazer seu próprio site, divulgar sua obra, registrar, disponibilizar para download e tornar seu nome conhecido no cenário. A "cena" brasileira de música independente passou a se fortalecer recentemente, dando origens à inúmeros festivais e coletivos em várias cidades do país que promovem shows, eventos e facilitam todo o processo da cadeia produtiva para que bandas surjam e aconteçam para o público ao qual se dirige.
Tantas facilidades podem criar um outro problema: o público se perder em meio à tantas bandas e tantos caminhos. A avalanche de grupos - muitas vezes de qualidade duvidosa - sobrecarregam a mídia, os canais de divulgação, patrocinadores, shows. O que diferenciaria um grupo no atual momento da música mundial? Como se destacar em meio a tantos nomes? O acesso fácil criaria o reconhecimento instantâneo? Indo além, ainda não restaria, entre a imprensa, um resquício de preconceito contra as bandas indie, fazendo com que elas não conseguissem espaço em veículos de maior alcance?
Felizmente, a qualidade não deixou de ser fator primordial para que uma banda mereça o espaço conquistado Há música sendo feita, reconhecida, girando e acontecendo em todos os cantos do Brasil. Se antes incipiente, a internet e o formato digital é agora uma realidade acessível que deverá em pouco tempo tornar-se a principal fonte de lucro da indústria.


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